Assunção de Maria

Como hoje é comemorada no Brasil a solenidade da Assunção de Maria Santíssima, coloco aqui no blog, um texto que escrevi a pedido da Pastoral da Juventude da paróquia em que habito para o boletim mensal. O texto reflete um pouco acerca de uma das mais populares orações da Igreja, a Ave-Maria.

Deixo aqui também registrado que a inspiração principal foi de um texto escrito pelo Cardeal Dom Eusébio Sheid, Arcebispo emérito do Rio de Janeiro.

Segue a reflexão:

Quando falamos de Nossa Senhora, ou com Ela, ou ainda pedimos sua intercessão, fazemos a oração da Ave-Maria em muitas das vezes. Será que ao rezarmos esta breve oração entendemos a sua profundidade? Meditemos um pouco acerca do assunto.

 

Ave-Maria cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte.

Amém

 

A primeira parte da oração tem origem no Evangelho segundo São Lucas. A anunciação angélica e a saudação de Santa Isabel. Vejamos:

 

Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo (Lc 1, 28): A saudação “Ave” era à época dirigida a pessoas de grande dignidade, principalmente a imperadores como conhecemos na expressão “Ave Cesar”. O Anjo Gabriel, ao encontrar-se na presença de Maria Santíssima, a saúda como a uma rainha. Nossa Senhora é Rainha do Céu e da Terra. Ela é a Mãe do Rei dos reis. E a matemática aqui é simples. A mãe de um rei é a rainha.

O Papa João Paulo II, de venerável memória, escreveu em sua carta encíclica Redemptoris Mater (Mãe do Redentor), que o anjo não chama sua interlocutora pelo nome terreno: Maria; mas sim com um novo nome: “cheia de graça”. Este nome refere-se em primeiro lugar à eleição de Maria como Mãe do Filho de Deus. A plenitude da graça (por isso está no singular) indica também toda a profusão de dons sobrenaturais com que Nossa Senhora é beneficiada com o fato de ter sido escolhida e destinada para ser a Mãe do Salvador.

 

Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre (Lc 1, 42): Santa Isabel faz esta exclamação a Nossa Senhora após ouvir a saudação desta enquanto chegava à sua casa e de seu esposo Zacarias.

O uso do termo “mulheres” é duplamente importante. Primeiro porque acentua a dignidade feminina, já que as mulheres quase não eram consideradas em Israel. Há também a importância teológica. Maria ia ser a Mãe do Salvador, informação implícita na segunda parte da frase.

Nesta pequena saudação que Isabel faz a Santíssima Rainha, reconhece e proclama que está diante da Mãe do Messias.

No ventre de Isabel há também uma criança. O Evangelho segundo São Lucas nos conta no versículo 44 do primeiro capítulo: “Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.”  Esta criança é João Batista, que nas margens do rio Jordão mostrará em Jesus o esperado Messias. João ainda no ventre, e sua mãe Isabel dão o testemunho da maternidade divina de Maria.

 

A segunda parte da oração foi composta pela Igreja Católica.

 

Santa Maria, Mãe de Deus: Deus ao fazer-se carne não poderia vir ao mundo num corpo corrupto pelo pecado, por ser em Si mesmo a própria perfeição, a própria pureza. Quis Ele vir num ser perfeito, sem manchas, sem pecado, puro. Fez-se homem no ventre da mais sublime das criaturas: Maria Santíssima. Na hierarquia celeste, Nossa Senhora encontra-se abaixo apenas da Santíssima Trindade, com quem está intimamente ligada, sendo filha de Deus, mãe de Jesus e esposa do Espírito Santo. Ela vem acima de toda multidão de anjos e santos do Senhor, a quem prestam profunda veneração.

Por isso, Maria, é santa desde a concepção no ventre de sua mãe Sant’Ana. A Imaculada Conceição é um dogma (verdade de fé) da Igreja. Ela foi concebida sem o pecado original. Pecado este que entrou no mundo após Adão e Eva terem comido do fruto proibido.

Mais uma vez na oração proclamamos a maternidade divina de Nossa Senhora. Repetindo o que disseram o Anjo Gabriel e Santa Isabel. Deus encarnado, “assume a natureza humana, que Maria lhe oferece, como instrumento de colaboração para a Redenção da humanidade, e nunca mais a depõe. Portanto, em sua Pessoa divina há duas naturezas: a divina e a humana. Por isso ela é a Mãe de Deus.”¹ A maternidade divina também é uma verdade de fé da Igreja Católica.

 

Rogai por nós pecadores: Maria é nossa maior intercessora, devemos sempre recorrer a sua poderosa intercessão. Vemos no Evangelho segundo São João um claro exemplo da intercessão mariana: as bodas de Caná. “Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: “Eles já não têm mais vinho.” Respondeu-lhe Jesus: “Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou.” Disse, então, sua mãe aos serventes: “Fazei o que ele vos disser.”” (Jo 2, 3-5)

Na resposta de Jesus à Maria encontramos dois detalhes importantes. Ele chama sua Mãe de “mulher”. Vimos também este termo na saudação de Santa Isabel, e tem a mesma função: dar grande dignidade a interlocutora. O segundo detalhe é quando Jesus diz que ainda não é chegada a hora. Ainda não era o momento d’Ele começar a fazer milagres, mas a pedido de Nossa Senhora, Ele antecipa esta hora. Aqui está a poderosíssima intercessão de Maria. Peçamos! Peçamos! Peçamos! Mesmo sendo pecadores, e Ela nunca tendo conhecido o pecado, intercederá por nós junto a Deus Pai.

 

Agora, e na hora de nossa morte: O “agora” é importante porque é o único momento que temos. O ontem já passou, e o amanhã ainda não veio. A morte é a única certeza na vida. E o auxílio de Maria neste acontecimento é descrito na vida de alguns santos, como Domingos Sávio, discípulo de Dom Bosco. Em sonho, o jovem santo disse ao seu tutor, fundador da ordem Salesiana, que o maior consolo que podia ter recebido na hora de sua morte fora a presença de Nossa Senhora. Nos prendamos a isto!

 

Amém: Assim seja.

 

O grande exemplo de Maria: Nossa Senhora nos dá uma tremenda lição no Evangelho segundo São Lucas: a entrega total a Deus. O “sim” de Maria, o fiat, deve ser também o nosso. Mesmo quando não entendemos a vontade do Senhor, assim como Maria, digamos “faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1, 38) Tenhamos a confiança de que aquilo é o melhor para nós, façamo-nos servos da vontade de Deus, e não Deus servo de nossas vontades. Entreguemo-nos totalmente a Ele, deixemos que Ele seja o Senhor de nossas vidas, para também como Maria possamos proclamar que o Poderoso nos fez maravilhas e Santo é o Seu nome. (cf. Lc 1, 49).

Sempre que rezarmos uma Ave-Maria, ou qualquer outra oração pedindo a poderosa intercessão da Mãe do Criador, tenhamos bem viva em nossos corações a entrega a Deus: Eis aqui o (a) servo (a) do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.

 

Rogai por nós Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

 

¹ “A Oração da Ave-Maria” pelo Cardeal Eusébio Scheid Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro

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~ por Marcelo Rezende em 16/08/2009.

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